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Profissional Autodidata

Olá, Tribo!
Recentemente fiz um post no facebook perguntando para as pessoas o que elas achavam dos profissionais autodidatas.
Elaborei as perguntas de forma a estimular o questionamento e parecer que aquela era minha opinião sobre o assunto. Fazia muitos anos que eu não fazia posts do tipo, mas este assunto bateu em minha porta inúmeras vezes e por isso quis saber o que mais pessoas pensavam a respeito.

 

Este é o post:

 

Muitas alunas e profissionais de diversos estilos e áreas comentaram e deixaram sua opinião sobre o autodidatismo.
Existem muitos pontos de vista sobre o que é ser autodidata.

Tem aqueles que acham que é um dom, um talento ou coisa de gênio. Alguns acham que se você estuda por video, livros ou dvs didáticos não é autodidata porque alguém está compartilhando informação e ensinando a técnica ou aquela teoria. Tem gente que acha que passear vez ou outra em sala de aula e depois estudar em casa é o que define o autoditada. Tem aquele que pensa que investir dinheiro e tempo em estudo te define como um ótimo profissional, mas, também tem aquele que acha que o fato de você gastar $ e o seu tempo estudando em salas de aulas não garante que você seja um ótimo profissional. Existem muitos estudos, cada um fala sobre um ponto. É bem dificil definir o que é realmente o autodidata e sinceramente, prefiro não arriscar.

Eu disse no post que minha opinião seria dita nos comentários, preferi gerar assunto para o blog já que deu uma ótima repercussão e o assunto realmente merece ser abordado.

Minha primeira professora de DV, Simone Martinelli, me mostrou o Tribal. Em 2005 não tinha professores com muita experiência no Brasil, então comecei a estudar muito sozinha através de videos e blogs. Eu comecei como autodidata. Aprendi muito do estilo sozinha apesar de ter ajuda da minha professora que não era profissional do estilo na época mas soube me levar ao caminho certo. Considero este meu início como autodidata mesmo eu tendo uma professora porque sei o quanto pesquisei e aprendi sozinha.

O meu post fala sobre o PROFISSIONAL AUTODIDATA, não sobre o ALUNO AUTODIDATA.
Os exemplos que vivenciei desde que comecei a estudar o Tribal foram determinantes para eu fazer minha escolha em ser “rata”de sala de aula ou autodidata.

Vi Ariellah fazendo aula da Mardi. Mardi fazendo aula da Sharon. Kristine fazendo aula da Anita, Anita fazendo aula da Sandi. Mariana Quadros fazendo minha aula, eu fazendo aula da Mariana Quadros. Rachel fazendo aula da Carolena. Carolena fazendo aula de Indiano. Entre outras situações. Ou seja, minhas mestras, que são os meus exemplos, estudam com outros profissionais. Sempre fui estimulada a estar em sala de aula e foi nela que aprendi os conceitos e técnicas que hoje me ajudam a desenvolver um trabalho com respeito e responsabilidade com os alunos e com o estilo que escolhi seguir.

De acordo com a minha experiência, quando comecei a dar aulas senti que meu pote estava vazio. Minhas alunas me perguntavam coisas e eu tinha dúvidas sobre as respostas. Foi então que decidi estar em todas as aulas que eu pudesse. E felizmente, minha dança amadureceu e eu aprendi muito com os mestres mais experientes. Eles me construiram e direcionaram a achar o meu próprio caminho e personalidade.

Por ser professora, sei da minha importância na jornada de cada aluno. Sei o que posso oferecer e que tenho convicção do que estou ensinando. Recebo constantemente alunos que foram autodidatas por anos. O resultado é sempre o mesmo: voltar a estudar o módulo 1 porque existem inúmeras lacunas e limpezas técnicas a fazer. Eles compreendem isso e querem estudar tudo do zero.

O que não entendo, é que professores que são autodidatas, motivam seus alunos a estarem em sua sala de aula semanalmente e na maioria das vezes pregam a importância disso. O autodidatismo é para todos, não apenas para gênios. Acho que acreditaria em um professor autodidata que ensina em sala de aula técnicas e dicas de como ser um autoditada. 😉

Autodidata estuda muito! Sei como é porque fui e ainda sou em alguns pontos. É uma escolha. Conheço profissionais autodidatas que tiro o chapéu. A questão muda quando você escolhe seguir uma dança com regras, com certo e errado, com pode e não pode e opta por ensinar outras pessoas. Chega uma hora que todos os estudos autodidatas te levam para dentro de uma sala de aula. Não consigo imaginar um bom bailarino de ATS autodidata porque sei todos os processos que cada pessoa precisa passar em relação a técnica, teoria e autoconhecimento.

Se você é professor autodidata e for responsável com a saúde dos seus alunos e tem interesse em respeitar as origens e regras da arte que escolheu seguir, sem dúvida resultará em um lindo trabalho. Se você prefere estudar em sala de aula, terá que estudar o mesmo tanto. O estudo e dedidação são iguais para os dois estilos de evolução.
Não acredito que investir muito dinheiro e fazer todas as aulas disponíveis irá transformar você automaticamente em um ótimo profissional. Um bom profissional é um conjunto de atitudes, decisões, curriculo e responsabilidades. Sendo autodidata ou não, a regra vale para todos.

O que mais uma vez aconteceu  e que é sempre o meu foco em todos os posts, aulas e conversas: Respeito ou a falta dele.
Joguei uma questão e muitas pessoas apenas souberam agulhar, outras sentiram-se magoadas. Outras felizes por falarem do assunto. Algumas pessoas se sentiram criticadas e ameaçadas. Teve preconceito, regras baseadas em sua própria crença.
Eu tive e ainda tenho um ótima experiência com o autodidatismo. Mas se for para eu ensinar, quero ter um ou vários mestres que me auxiliem nesta jornada.

Eu respeito e adimiro as duas formas de aprender. Acredito que uma não vive sem a outra. Pratico as duas diariamente.
Não acredito no certo e no errado. Acredito no responsável e no irresponsável com a cultura, técnica e alunos.

Vou responder minhas próprias perguntas:
1) A qualidade deste profissional é questionável por ele ser autodidata?
Se tratando de dança e limitando ainda mais, se tratando do Tribal, eu não teria interesse em estudar com alguém que nunca passou por correções ou não tem troca de experiência. Mas, amaria conversar com esta pessoa e entender a forma que ela pensa, os processos criativos e como a dança funciona para ela. Mas não sentiria confiança em agregar o tal do “certo e errado” que ela me falaria em sala de aula. Sempre ficaria com insegurança em relação a técnica do estilo.

2) Você prefere estudar com um professor que investe muito (tempo e $) em estudo ou com um professor que aprendeu sozinho e nunca passou por uma correção de algum profissional mais experiente?
Acredito que gastar dinheiro e tempo com professor em sala de aula não define um bom profissional. Mas eu também não estudaria com alguém apenas autodidata que gastou muito tempo e dinheiro em estudos sozinho. Quando vou me reciclar, procuro pessoas que estudam com outras pessoas, que investem e são éticos, respeitosos, com didática boa e que compartilham tudo que sabem com seus alunos.

3) Acredita que este profissional na verdade não seja autodidata uma vez que estuda por vídeos no YouTube e tenta reproduzir a técnica, escolhendo seus bailarinos preferidos como mestres e lendo matérias sobre o estilo na internet?
Acho que se você assiste um dvd didático, tem um mestre na tela te ensinando. Se assiste videos no youtube e tenta reproduzir a técnica, sinto que é uma pesquisa rasa e de alguma forma, aquele bailarino do video te ensinou a fazer aquele movimento. Não acredito ser autodidata neste caso.

Minha opinião é essa. Resumindo: Respeito o autodidata. Sou autodidata. Mas quando me proponho a ensinar, vou atrás de me aprofundar e ter mestres que possam me ajudar a ser um profissional com qualidade com respeito às regras do estilo e respeito aos alunos que estão em minha sala de aula com sede daquele conhecimento.

Termino o texto agradecendo a todas as pessoas que souberam debater com respeito esta questão. Deixo abaixo algumas frases ditas nos comentários do post que demonstram também minha forma de pensar.

Um beijo para vocês autodidatas e não autoditadas. O mundo é para todos. As criações surgem das diferenças. 😉 ❤

“Nas aulas de pedagogia, a gente aprende que existem vários tipos de mediadores para a aprendizagem. O professor, o livro, um vídeo, são todos mediadores que colaboram para a construção de um conhecimento. Quando aprendemos com pessoas por meio de aulas presenciais, temos uma forma mais tradicional de aprendizagem. No entanto, quando nossos mediadores são unicamente livros e vídeos, sem interação com um professor mediador, chamamos de autodidatismo. É pra isso que serve essa palavra, pra definir outros tipos de aprendizagens diferentes da tradicinal em que não há interaçao entre aluno e professor cara a cara. Não tem nada a ver com dom… autodidatas tem que se esforçar muito para aprender, geralmente ralam muito mais, pois não tem o conhecimento facilitado pelo professor. Na verdade o autodidatismo só é recomendado em casos em que vc não pode ter aula presencial, pois é muito mais demorado aprender sozinho. No caso do tribal, quando ele surgiu no Brasil, não havia professores pra ensinar, então esse é um caso em que o autodidatismo se fez necessário. No entanto, as profissionais que iniciaram o estudos de tribal sozinhas no Brasil, assim que puderam, foram estudar fora com professores. Claro, porque, no caso da dança, a aprendizagem presencial é sempre melhor, porque é mais rápida e vc tem a garantia de que está fazendo o movimento com a qualidade que deveria ter. Outro ponto, o autodidatismo tb é crucial quando vc já domina uma série de conhecimentos, já é um profissional de excelência e não encontra mais muitos professores acima de vc pra te ensinar. Nesse caso o autodidatismo é necessário para que o dançarino possa evoluir e tv se ele quiser inovar.” (Karen Dias de Sousa)

“Sobre o autodidatismo na questão 4 é boa por uma coisa: ela ajuda o bailarino ter.. muito dele mesmo.” (Loreta Marjory)

“…desenho desde uns 5 anos. Nasci com o dom, certo? Ai de mim se não buscasse aprender técnica! Dons precisam ser trabalhados corretamente. Agora tendo técnica, ai de mim se não praticar por conta própria! Com a dança acontece, ao menos comigo, a mesma coisa.” (Dária Lorena)

“Eu pessoalmente prefiro profissionais que estudam das duas formas: em sala de aula e sozinho porque pra mim um não funciona sem o outro.” (Ludmila Fornes)

“Yo creo que depende de cuales sean nuestros objetivos como alumnos. Si queremos conocer seriamente una danza, es necesario acudir a un docente capacitado que nos transmita correctamente la técnica, pasos, estética y teoría de la danza elegida… Y si es autodidacta en cuanto a ser creativo a la hora de dar las clases o componer coreografías, etc… Mucho mejor.
De todas formas una persona con muchos certificados no es garantía de un buen docente… Así que tenemos que ser muy precavidos y tomar clases con distintas personas para ampliar el abanico, y ver la danza que queremos aprender desde distintos enfoques además. Es mi humilde opinión. Besos hermosa!” (Caro Moro)

“Autodidática pra mim é quando vc estuda ou faz tudo sozinho, pesquisa e desenvolve algo através sei lá, de uma inspiração , um dom incrível de ver , entender, absorver, reproduzir e repassar sem o contato com ninguém.” (Marcelo Justino)

“Pois é… Minha curiosidade é: os autodidatas que têm chances de estarem perto de grandes profissionais e aprenderem com eles, o que os leva a ainda preferirem seguir sozinhos? E, então, eles deveriam incentivar as pessoas a estudarem sozinhas, né?! Mostrar esse caminho. E não a consumirem suas aulas.” (Nesrine)

“Me dá um pouco de receio, acredito que a vivência nas salas de aula de dança são responsáveis não só por uma técnica mais acurada como também por melhores relações e sentimento de grupo – mesmo uma boa bailarina solista precisa praticar em grupo -, um trabalho de improviso mais sério… e, bem, nada pode ser melhor que um bom puxão de orelha de uma professora de dança, rsrsrs. Acredito que na dança, como em qualquer outra arte ou técnica (e isso vale até pra outras áreas, da história à física), é possível tirar ótimo proveito de vídeos, livros, dicas que você pega na internet, mas esses devem servir como complemento. É preciso orientação de alguém experiente, que esteja ao seu lado, pra limpar “vícios” posturais, pra observar o impacto das movimentações no seu corpo e para te orientar, dentro do que é possível ou não fazer.” (Ana Terra De Leon)

“Sou professora (não de dança, mas de língua portuguesa). Acredito q estudo e pesquisa são importantes em todas as áreas. Acrescento que as trocas de experiências e o diálogo também são fundamentais na formação de um professor. Portanto, quando procuro um curso de dança dou preferência a quem tenha vivência e formação amplas, então alguém q seja somente autodidata não atende minha expectativa.
Penso q ser autodidata para dançar ou aprender o quer q seja é uma coisa, mas para ensinar algo a alguém é outra história.” (Renata Pingueiro)

” Acredito que ter um mestre para te direcionar é muito importante, principalmente no início, mas o fato da pessoa buscar evoluir sozinha não a desqualifica. Falando especificamente de danca, danca é corpo e é necessário mta pesquisa sozinha para evoluir. Eu prefiro estudar com um professor competente, que saiba ensinar e está sempre buscando algo mais a oferecer, na minha percepção o fato de ele ter investido muito dinheiro não o qualifica, mas tempo é algo que faz a diferença no caminho profissional.” (Thaisa Martins)

“Na minha opinião o auto didata pode ser excelente no que ele faz. Existem pessoas que desde pequenos sabem tocar piano por exemplo, como explicar? São talentos… porém, ensinar requer conhecimento técnico. Na dança, especificamente você está lidando com o corpo das pessoas. É preciso que o professor tenha um conhecimento que possa atender às dúvidas e dificuldades que forem surgindo. Para qualquer aluno realmente interessado existirá uma sede de conhecimento e o professor bom, competente precisará ser a fonte e o condutor desse conhecimento. “Quem faz algo, não precisa saber necessariamente como consegue fazer. Quem ensina precisa de conhecimento técnico. Até que ponto a pessoa conseguirá evoluir sozinha? Eu acho que chegará uma hora que isso vai pesar…” (Natália Machado)

” Sim, é questionável a qualidade deste profissional, se ele estuda por conta, quem supervisionou ou contou pra ele que ele está apto a ser profissional?
Prefiro estudar com um professor que investe tempo e dinheiro em estudos com outros profissionais mais experientes. Dá pra comparar com médicos. É preferível ir num médico que se atualiza e investe em congressos, pesquisas e estudou numa universidade ou vc se trataria com um médico autodidata?
Eu considero autodidata qualquer maneira de estudo sem supervisão. E aí depende do profissional como ele utiliza este estudo autodidata. Pois vc pode estudar vídeos, assimilar a sua dança e constituir seu estilo/personagem ou então vc será mais um reprodutor ininterrupto de coreografias e sequências prontas da internet. (Uma das coisas que mais vemos hoje em dia diga-se de passagem)
Não sei se isso entra no enredo da questão, mas acho que estudar de forma “autodidata” pode ser interessante depois que já existe algum embasamento bem direcionado e técnico, é então o profissional buscar fontes de estudos diferentes, sabendo diferenciar, entender e assimilar o que está estudando, para compor sua arte. Se tornar profissional sendo que sempre foi autodidata me dá um pouco de medo, quais fontes foram estudadas, o que considera verdade ou mentira, o que tem como base para ensinar para os outros? Um autodidata antes de se tornar profissional provavelmente só teve experiências com o próprio corpo não é? Então quando se intitula profissional, como ele pode passar informações para corpos diferentes, ou mesmo trabalhar apresentações e números para públicos diferentes? Eu acredito que a cooperação, o fato de estar em grupo, debater questões, onde sentimos dor, incomodo, facilidade, isso é tão pessoal, e agrega tanto ao crescimento pessoal, que infelizmente não acredito em profissionais autodidatas. Repito, basta usar o exemplo de um médico… você confiaria num autodidata ou em um formado?” (Bruna Nassif)

“Se o bailarino se acha um puta profissional autodidata beleza, o que acho que nao seria correto é apenas o fato do profissional ser responsavel por danos causados ao corpo de uma pessoa leiga no assunto.” (Fahir Sayeg)

 

 

 

 

 

 

 

A Importância da Reciclagem

Oi, Passarinha!

Hoje quero abordar um assunto muito importante dentro do ATS® que é a reciclagem.

Acredito que este tema sirva para todos os estilos de dança, não apenas pra o ATS, mas irei focar nele para conversamos sobre este valioso assunto.

O ATS é dividido em módulos, temos o módulo 1, 2, 3 e “quase” um módulo 4 (não obrigatório) para estudarmos os “extras” do estilo.
Para saber todos os movimentos do clássico e moderno, você precisa concluir o seu módulo 3. Depois que você concluiu este módulo, para onde você vai? O que vai acontecer com o seu estudo, com a sua técnica?
O ATS lindo, aquele bem definido, divertido, que consegue ser diferente a cada apresentação mesmo utilizando os mesmos passos, precisa de muito mais estudo do que imaginamos.

1276991_707081869306640_1812687928_oÉ muito importante percebermos o que precisamos aperfeiçoar. Você que é aluna iniciante, comece a estudar o ATS já sabendo que irá fazer o módulo 1, 2, 3 e “extras” inúmeras vezes.

Repetir o módulo não é negativo, pelo contrário. É sinal de respeito ao estilo, de vontade de aprender e paciência.

Respeite sua professora quando ela sugerir que permaneça no mesmo módulo ou que volte a estudar o módulo anterior ao seu atualmente. Se conseguir e se a escola onde estuda permitir, faça o seu módulo atual e o anterior simultaneamente. Assim você recicla e junto evolui. Mas converse com sua professora sempre para saber o que é melhor para sua dança.

Tenho alunas que estão prontas para avançar para o módulo 2 mas preferem permanecer no 1 para trabalhar a segurança ao liderar, revisar os passos básicos e ir para o módulo 2 com mais confiança.  Essa decisão é legal e responsável, mas precisamos seguir evoluindo, tome cuidado para não deixar de avançar por medo.  Saiba quando permanecer, quando deve voltar e também quando chega a hora de dar um passo a frente.

Tenho inúmeras alunas que refizeram o módulo 2 pelo menos 3 vezes. ❤

Atualmente uma aluna minha que é Sister Studio, a Elis Borges, voltou para minha sala de aula. Ela escolheu o módulo 1. Sim, o módulo 1! Isso é extremamente admirável por que demonstra que ela sabe a importância da limpeza técnica e também de se manter atualizada.

17097540_10209969459207689_1724630518249278227_oCertificado é apenas papel. Junte seus certificados como lindas e especiais recordações dos cursos já feitos por você, mas permita-se juntar muitos de cada módulo.  Tenha em mente que o seu corpo, sua técnica e a sua experiência definem seu nível na dança. Não a quantidade de papel guardado em uma pasta.  😉
Estude com várias professoras, faça workshops, aulas particulares, participe de grupos nas redes sociais. Questione, tire dúvidas.

O ATS é um estilo vivo. Costumo dizer, com todo respeito a nossa mãe, que Carolena está viva e louca (incrivelmente louca) e ainda modifica e aprimora o estilo todos os dias. O ATS foi desenvolvido em cima de tentativas. E ainda o é. Novos movimentos, novas regras, tira isso, põe isso… precisamos nos manter atualizados para acompanhar todo este processo de criação constante.

Sisters e Brothers: estudem. Com certeza muita coisa já mudou desde a sua formação. Se formar em ATS® significa apenas que os  estudos começaram. Precisamos sempre procurar o que há de novo. Se puder ir para fora, ótimo. Se não puder, inúmeros eventos proporcionam a vinda de internacionais do ATS para nossa reciclagem na América do Sul.  Temos também excelentes profissionais de ATS no Brasil que podem te ajudar com isso.

Desde que me formei, em 2012, estudei muito, muito, muito. Todas as vezes que viajei ou trouxe internacionais fiz os workshops ou aulas particulares. Meus temas preferidos são os básicos. Sempre procuro por reciclagem de formações, body wave, correção de postura, taxeem, etc. O segredo do ATS está no módulo 1, acredite! É o módulo mais importante porque tudo sobre a estrutura está ali.  Se a sua base estiver limpa, as ramificações dos movimentos também ficarão.

Minhas alunas chegam até a minha sala de  aula confiando no meu trabalho e preciso ter feito o meu melhor para elas.

17156206_10210022408691393_6833530116811473377_nNão é humilhante ser ou voltar para o módulo 1, 2, ou 3. Não é porque você é professora que precisa saber de tudo. Uma professora de ATS nunca sabe de tudo porque enquanto pregamos uma verdade aqui, lá nos EUA já foi modificado.

Professor, corrija-se em sala de aula, recicle seus alunos, diga que era assim e agora mudou. Que você estudou, se reciclou. Sem dúvida alguma seus alunos irão gostar e confiar ainda mais em você. Temos o programa SSCE do FCBD® que não é obrigatório mas estimula a reciclagem constante.

Alunos, procurem professores que se reciclam frequentemente. Pergunte a eles se  estudam, com quem e com qual frequência.

Uma raiz saudável e forte faz a árvore se desenvolver lindamente. Busque fortalecer suas raízes. Antes de pensar em criar dialetos, veja se precisa corrigir seu torso twist, body wave ou taxeem. Antes de pensar em ser professora, seja aluna dedicada. Antes de sonhar com o módulo 3, sonhe em concluir o módulo que está com extrema dedicação.

E volte, quantas vezes precisar para os módulos 1, 2, 3 e “extras”.

É muita honra!

Ao longo da minha jornada no ATS® tive o enorme prazer de dançar com as minhas mestras.
Quando comecei a dançar eu não imaginava chegar tão longe, mas sempre tive a certeza de que daria certo.

Dividir palco com minhas professoras, pessoas que admiro e que me ensinaram o ATS®, sem dúvida foram algumas das minhas melhores experiências que o estilo trouxe para minha vida.
Quando elas te convidam ou dizem “sim” para o seu convite é uma alegria imensa e uma sensação de reconhecimento, de conquista, de certeza que está no caminho certo… é uma sensação que alegra, colore e dá sentido a toda batalha e caminhos percorridos para chegar até ali. É levantar um troféu, é dar um abraço em você mesmo e dizer: você conseguiu, parabéns pela sua luta!
Reconhecer seus méritos é essencial. Reconhecer suas mestras é digno e respeitoso. Saber onde chegou, onde quer chegar e o seu devido lugar (tamanho) neste momento é sábio.
Saber sorrir a conquista dos outros é bonito. Te convido a sorrir comigo! 😀

 

 

 

 

 

Mais do mesmo: conexão!

Olá, Passarinhas!
Quero falar um pouco sobre o ser humano que dança ATS®… sim, ser humano!
Quem me conhece sabe o quanto gosto de destacar o fato do ATS® ser um estilo de vida, uma filosofia, uma maneira de ser e se expressar.
No Congresso Tribal 2017 que acaba de acontecer, tive a enorme honra de dançar com minhas mestras Kristine Adams e Anita Lalwani. Todos sabem o quanto sou apaixonada pela Kris por sua técnica e amizade que desenvolvemos ao longo dos anos. Já dancei com ela 3 vezes e esta foi a 4ª. experiência. Com a Anita foi a primeira em cena mas já a conhecida das aulas no antigo estúdio do FCBD® em São Francisco,CA.
Quero abordar hoje com vocês o que senti acontecer no ensaio e me fez “cair a ficha” sobre o que o ATS realmente é em essência.
Tive apenas uma hora de ensaio com elas durante o evento. Ele aconteceu na sexta, no primeiro dia do Congresso.
Colocamos a música e dançamos. Depois dançamos novamente, e depois novamente. E enfim, mais uma vez. O ensaio acabou sem a dança ter sido criada, sem uma coreografia ter sido feita ou algo que pudesse deixar a situação mais segura para a nossa apresentação. Foi então que eu pude confirmar minha teoria: Nós criamos conexão e não coreografia!
Tudo no ensaio foi sobre conexão. Dançamos inúmeras vezes, cada vez era diferente, mas a nossa conexão melhorava e logo a dança fluía muito mais natural e divertida.

Anita (20 anos de FCBD), Kristine (13 anos de FCBD) e eu (10 anos de ATS). Nós dominamos os passos do ATS, certo? Nós dominamos as formações, certo? Nós sabemos as variações e como lidar com erros, certo? A resposta é SIM e NÃO ao mesmo tempo! 😛
A técnica e experiência no estilo nos ajuda muito, claro… mas é incrível como os movimentos e formações parecem novidade quando estamos desenvolvendo uma conexão com um ser humano que nunca dançamos antes.
É por isso que precisa de ensaio. Porque somos seres humanos diferentes e o ensaio serve para que possamos nos conhecer, conhecer nossos corpos, nossa sintonia, nosso estilo. O ensaio serve para que a conexão exista entre pessoas que não costumam dançar juntas. É incrível a sensação de criar danças novas com os mesmos passos do ATS todas as vezes, centenas de vezes e cada uma delas parecer novidade! Aliás, amo como sempre parece uma novidade a forma que o Egyptian ou o Spin serão aplicados, quando acontecerá a diagonal ou o coro. O ensaio foi uma nova descoberta para todas porque éramos seres humanos novos, que se juntaram pela primeira vez para dançar naquela formação, com aquela música para aquele evento, naquele país, para aquele público. O ATS trata das situações como únicas e novas, por isso ele não enjoa, por isso ele se mantém vivo e interessante para os praticantes e para o publico.

No palco foi improviso. A única coisa que marcamos foi a forma que iríamos entrar em cena: “com ou sem a música”.
Mas o ensaio fez com que nossa sintonia surgisse e tornasse nossa técnica possível.

Para você que assistiu, a apresentação foi 100% improviso! Esse é o ATS sendo trabalhado em sua essência. Técnica e conexão sendo trabalhados no palco de forma improvisada.

Precisamos nos preocupar MUITO com o tipo de conexão que está sendo criada com os seres humanos que irão compartilhar o palco conosco.
Lembrando que “você não precisa gostar da pessoa para conseguir se conectar com ela, dançar lindamente em cena e se divertirem muito juntos. ATS é sobre respeito, maturidade, entrega e humildade”.

Olho no olho, flock of birds, entrega, atenção e respeito. Ingredientes que não podem faltar no nosso improviso.

#2 – Diário da Beca| Day Off – EUA

Hello little birds! 

Hoje o dia foi extremamente especial. Passei o dia ao lado da minha amiga e mestra no ATS®, Kristine Adams e da alemã Gudrun. Almoçamos sushi, comemos cupcake, tomamos chá, fizemos compras…hoje o dia estava bem feio por aqui. Muita chuva e bastaste frio. Mas não foi empecilho para nosso passeio. Esqueci de tirar foto do cupcake inteiro, lembrei apenas quando já estava no fim: 

La Luna Cupcake

Gudrun é uma mulher extremamente inteligente, elegante, educada e simpatica, foi um prazer conhecê-la pessoalmente. Ela irá ministrar workshop no Homecoming e dançará no show de sábado com o ATS Sisters Collective. 
A noite fomos jantar em um restaurante mexicano que a Kris sugeriu. O local se chama Velvet Cantina e pelo que a Kris falou, é extremamente tradicional e antigo em São Francisco. Segundo ela, ir a este local é fazer valer sua visita na cidade. Um lugar pequeno, aconchegante, com excelente serviço e a comida é realmente boa. A Kristine definitivamente arrasou na escolha.   

Elana Brutman, amiga de Kristine se juntou a nós. Uma mulher divertida que ja dançou no Read my Hips em Chicago, Ultra Gypsy  e no Floxgolve Sweethearts (obrigada Barbara Kale pelas informações adicionais sobre ela), hoje se dedica a música. Elana também ajuda pessoas com Mal de Parkinson a lutarem box! Pois é… aquele tipo de gente que você sente alegria por ser da mesma espécie e que conversaria por horas e horas. 

Hoje meu dia foi essa delícia. Um tour pelas ruas de São Francisco com Gudrun e Kristine e muita troca de informações sobre o ATS e a vida. 
Amanhã irei logo cedo para Burlingame onde irá acontecer o Homecoming. O evento irá começar às 16hs com Workshop da Wendy contando a história do ATS®. Não vejo a hora!  Irei compartilhar tudo com vocês!                       Um beijo! 

Da esquerda para a direita: Gudrun, eu, Kristine e Elana

#1 – Diário da Beca| Underground Nomads- EUA

Olá, Tribo! 

Sobre o dia 17/01/2017, terça feira. 

Finalmente cheguei aos EUA e muita coisa já aconteceu por aqui. Meu vôo foi tranquilo e quase enlouqueci no momento da conexão em Los Angeles. Me deram um cartão laranja fluorescente (agora sei que significa uma grande chance de não pegar o seu próximo avião)  e aquilo me fez correr desesperada por 50 minutos para conseguir trocar de aeronave a tempo. Enfim, deu tempo e cheguei pontualmente no Aeroporto de São Francisco.  Peguei um transporte que me levaria até o hotel, um senhor de aproximadamente 70 anos era o motorista. Viemos conversando e ele me contou que há 3 anos atrás era um morador de rua, sem teto, sem comida…mas decidiu mudar e mudou. Ele não tem como pagar aluguel e arcar com as despesas do seu carro de trabalho, tudo indica que ele mora naquela van. Fiquei muito feliz em conhecer este senhor e a minha viagem começa aqui, com o senhor ex morador de rua chamado Elias que mudou sua história de vida. 

Cheguei no hotel e como sempre (sim, tenho chilique e ataque de alegria quando chego nos hotéis), a primeira coisa que fiz foi me jogar na cama e agradecer aos deuses e deusas por ter chegado bem e pelo que viria pela frente. 

Saí para dar uma volta pela Union Square e me lembrei que estava próxima ao restaurante de um hotel que fiquei hospedada em 2012. Entrei e pedi o mesmo prato que eu pedia na companhia da Nadja El Balady em 2012: macarrão recheado com ricota e espinafre com molho ao sugo e limonada! Deu pra matar a saudade. 

Voltei para o hotel e logo comecei a me arrumar para o show no Underground Nomads. Nem preciso falar da emoção que eu estava sentindo ao me arrumar para dançar nesta festa que sempre acompanho de longe e rever pessoas queridas por mim. 

O local do evento é no bar F8 que fica na Folsom Street , Union Square. Um camarim revestido de espelhos e um ambiente pequeno e aconchegante onde as danças acontecem. Fui extremamente bem recebida por todos, mas o meu encanto ficou marcado ao conhecer a Terri pessoalmente. Uma mulher linda, simpática e divertida.                                       Dancei com a norte americana, Becka Bomb. Uma mulher linda, simpática e que dança muito. Nos conheciamos apenas pelas redes sociais e quando apareceu a oportunidade, resolvemos juntar as “Bekas” nesta festa. Não tivemos a oportunidade de ensaiar antes, quando eu cheguei o show já estava para começar. O ATS® me conquista a cada prova que tenho de que o seu sistema unificado de improviso é a melhor escolha para juntar pessoas. O nosso dueto fluiu com conexão e alegria. Tivemos alguns errinhos durante a dança mas neste caso, são aqueles erros naturais de um improviso e de dois corpos que nunca tinham se visto e dançado antes. Foi um experiência incrível colocar o ATS em prática 100℅ improvisado. Sempre digo para minhas alunas que Flock of Birds, olho no olho, atenção, foco e simplicidade dos movimentos garantem o sucesso de momentos como este. 

Após minha apresentação com a Becka Bomb, outras danças aconteceram e foram lindas! O momento ápice foi quando FCBD entrou em cena arrasando em seus desenhos, dinâmicas e técnicas. Assistir este momento acontecendo bem na minha frente, ao vivo e de forma tão linda, me fez emocionar e sentir aquela maravilhosa e viciante sensação de sonho realizado.

Como todos sabem, Kristine Adams é minha amiga e mestre no ATS. Aprendo com ela o tempo todo, apenas ao acompanhar seu jeito no camarim, como trata as pessoas e como se posiciona em cena. É uma alegria estar mais uma vez sob os olhares, correções, apoio e amizade de uma pessoa tão admirável como a Kris. 

Hoje foi um dia especial, muito especial. Cheguei no hotel, hora de descansar! 

Tenho postado muitos momentos especiais no instagram e facebook. Me siga e acompanhe o que estou vivenciando por aqui.

Encerro o post com alguns momentos do Underground Nomads e com o vídeo da minha apresentação com a Becka.       

Um beijo, passarinhas (os). 

Camarim Espelhado
Com o FCBD®

Com Kristine Adams
Com a Larissa Archer

Com a Níjme, minha aluna que veio para se formar em ATS®
Com Laura Gutierrez, Terri, Níjme e Isabelle
Com Isabelle Mokros, minha aluna alemã que veio para se formar em ATS®

Entrevista com Carolena Nericcio

Entrevista feita com Carolena Nericcio por Rebeca Piñeiro na sala do antigo estúdio FCBD® em São Francisco, Califórnia para a Revista Shimmie.

Entrevistada: Carolena Nericcio
Entrevistadora: Rebeca Piñeiro
Tradução : Aline Muhana
Dezembro/2012

1) RP: Carolena, quais foram suas inspirações para estruturar o ATS®?
CN: Eu descreveria da seguinte forma: Quando comecei a dar aulas de dança do ventre era apenas isso, aulas de dança do ventre. Eu usava o formato que aprendi de minha professora Masha Archer que eu conhecia apenas como dança do ventre. Ela é uma artista muito talentosa e a forma como ela utilizava o figurino e a estética geral do seu estilo era muito especifica e eu achava que dança do ventre era isso.

Então quando comecei a dar aulas eu não tinha experiência com outros estilos e foi muito natural seguir o formato que ela me ensinou então quando as pessoas começaram a mencionar outros estilos de dança do ventre eu não sabia do que elas estavam falando e também não me importava muito. Me interessei bastante depois mas não naquele primeiro momento. E eu vivia nessa “bolha” de conhecimento passado por mim por Masha, porque eu achava que o estilo dela era a coisa mais incrível do mundo e era assim que eu gostava de ver as coisas. Mas as pessoas continuavam a trazer mais perguntas à respeito de outros movimentos, outras culturas de outros países e outras formas de dança e aquilo me forçou a sair daquela “bolha” e conhecer outras coisas. E o que eu comecei a perceber foi que em termos de estrutura, o que nos tentávamos fazer era um estilo de improvisação coordenada em que duas, três ou quatro dançarinas se apresentavam juntas e o real propósito disso. Como mencionei anteriormente , no estilo de apresentação improvisado de Masha, a bailarina mais experiente poderia mudar o movimento o movimento do grupo mas ela não necessariamente tinha que estar na frente das outras para fazê-lo, era esperado que você soubesse que iria acontecer e era extremamente confuso. E eu tenho essa forma organizada de pensar as coisas e aquilo não fazia nenhum sentido para mim (minhas alunas nunca aceitariam tal coisa!) então tivemos que pensar em melhorar isso. A dançarina mais experiente tinha que ficar na frente das outras para passar a informação para as outras. O que fiz foi observar as alunas em sala de aula e pode notar quando a dançarina sênior mudaria o movimento, por causa da forma que ela mudava de um movimento para o outro. Muito similar à estrutura da música folclórica egípcia, em que o percussionista usa a medida de 4/4 do ritmo para mudar de frase musical, à partir de uma deixa da última repetição da frase percussiva para avisar aos outros músicos que a frase mudaria. Eu notei que a dançaria sênior fazia o mesmo e dava uma “deixa” que significava: “vou fazer algo diferente” e trazia a atenção para alguma parte do seu corpo que sinalizaria a mudança. Poderia ser no ângulo dos seus pés ou a forma que movimentavam os braços para cima e/ou para baixo, ou a forma que movimentavam os ombro sinalizado “estou me preparando para girar” e coisas do gênero. Então foram nessas observações em que me baseei para estruturar o estilo, a experiência de improvisação com duas, três ou quatro dançarinas. Qualquer formação com mais pessoas era confuso demais, e com menos pessoas do que isso, seria um solo. Às vezes temos solos mas a maioria das apresentações são em grupos. Originalmente nós dançávamos apenas em festas então a formação não tinha muito critério de posicionamento, então começamos a nos apresentar em um pequeno café chamado “Café Istambul” em que os espaço para dança era bastante estreito e as dançarinas só podiam ficar em uma posição específica, que era em diagonal , que era possível para duetos e trios. Essa situação nos levou a trabalhar em diagonais. E então nos vimos em apresentações em parques e festivais e nos demos conta que a formação em triângulo para os trios e em linhas intercaladas para os quartetos era uma boa forma de manter as diagonais e ainda sim ver a dançarina-líder. Então foi isso (uma longa resposta para sua pergunta curta), eu apenas observava o que estava acontecendo. E em termos de figurino : os adornos de cabeça, as jóias, o choli, as calças bufantes, a saia, o xale , eram bem o que usávamos com Masha. Para ela as cores seriam mais pastéis, mais européias , como uma pintura de Alfonse Mucha , e para mim as cores seriam mais cruas e ousadas, com um visual mais folclórico e alegre. Eu adicionei meu toque pessoal e a minha inspiração porém mantendo a estrutura básica do figurino, com mudanças das texturas dos tecidos e nas cores, passando dos pastéis e dos tons lavados para algo mais arrojado, natural e vigoroso.

2) RP: Após 25 anos de FCBD®, você sente que ainda precisa procurar novas inspirações para a evolução do estilo ou consideraria seu trabalho encerrado?
CN: Encerrado seria um pouco extremo, eu diria terminado. Quando lançamos o DVD 7, na ocasião do aniversário de 20 anos do estilo eu considerei que a minha criação estava completa e fiquei bastante satisfeita. Mas alguns Sister Studios vieram com algumas variações para alguns passos , o que eu achei frustrante por não ver propósito nisto, e até nós mesmas no FCBD surgimos com variações também , então tive que admitir que o estilo continuava a crescer. Num primeiro momento me senti frustrada, como já mencionei, porque só de pensar no trabalho que isso tudo daria já me senti exausta. Percebi que seria inevitável, com a evolução do estilo haveria que se assegurar a liberdade de criação, então eu me rendi à idéia de reunir 3 Sister Studios mais o FCBD® e criamos o volume 9 com um manual para a criação de novos passos se assim for do desejo de quem dança ( e este seria tema para uma outra entrevista completa). Então eu não diria que o conceito está encerrado, eu diria que está completo e diria ainda que continua a se desenvolver, respeitando seu formato original.

3) RP: Porque você começou a dançar em grupo?
CN: É uma boa pergunta! Como disse antes, na época em que dancei com Masha Archer haviam solos ocasionalmente, mas ela gostava mais da idéia de dançarinas trabalhando juntas. Em vez da idéia de competição entre dançarinas, coisa ela observou tantas vezes até que ela começasse a dar aulas, que mesmo em grupo tentavam aparecer mais que a outras competindo entre si e tentando provar qual delas era a melhor. Ela achava essa atitude sem sentido porque quando estamos no campo da Arte não existe este sentido de competição, então ela passava para nós uma mentalidade de cooperação quando dançávamos juntas. Então eu interpretei isso como a forma que deveria ser. E o que pude perceber da minha experiência inicial lecionando foi que os solos criavam mesmo esta sensação de “quem é a melhor”, coisa que eu não gostava. É como quando você vê uma dançarina cercada por outras e automaticamente você pensa que ela está se destacando porque ela é a melhor do grupo, e não porque ela teria a leitura musical mais interessante para esse pedaço da musica por exemplo. Com o passar do tempo mantivemos o solo, mas ele não faz parte da natureza do estilo como quero apresentá-lo. Então nos grupos de duetos, trios e quartetos a audiência tende a ficar desconectada das particularidades de cada dançarina (a mais bonita, a mais alta, a mais voluptuosa ou a mais magra… a que tem cabelo roxo… enfim!) e se concentra no todo, como uma verdadeira pintura em movimento. A primeira coisa que se vê é a totalidade desta “pintura”, e então você nota qual é o tema, e pequenas partes desse todo começam a se destacar. Eu não queria que estas “pequenas partes” se destacassem antes do tema principal, e a atenção não se perde deste tema. E isso agradou a muitas pessoas porque se você quer dançar mas não quer ser uma solista, você não precisa. Não é necessário lidar com toda aquela pressão de ser o centro das atenções , eu mesma nunca quis ser uma solista. Muitas alunas que freqüentavam as minhas aulas se sentiam desta maneira e isso fez com que elas se sentissem confortáveis e isso ajudou muito. À medida que o ATS® foi ficando mais popular senti muita pressão por parte das pessoas para fazer solos, por que eles queriam me ver dançando sozinha e eu pensei “mas isso vai contra o propósito da coisa”, mas acabei cedendo porque vi o porquê delas quererem tanto. Então apresento solos ocasionalmente mas não gosto deles tanto quando gosto de dançar em grupo.

4) RP: Como criadora do ATS® como você se sente a respeito da projeção mundial que o estilo vem tomando em todo o mundo? Você algum dia imaginou que o estilo se tornaria tão popular?
CN: Eu tenho três respostas para esta pergunta. Eu esperava que o estilo se tornaria tão popular? Não. Foi minha intenção que ele se tornasse tão popular? Não. O porquê de ter se tornado tão popular faz sentido para mim? Sim. Porque é belo, é de uma beleza universal, é acessível, e eu penso “é claro que todos querem fazê-lo”. Eu quis que se tornasse o propósito da minha vida então porque outras pessoas não iriam querem também? Foi sem intenção, sem promovê-lo dessa forma que faz com que faça total sentido. O que mais se poderia querer?

5) RP: Quais são seus próximos objetivos? No que você gostaria que o a ATS® se transformasse no futuro?
CN: Como disse antes, sinto que o meu objetivo foi atingido e o fundamento está completo e cabe a ele uma evolução , então eu acho que o conceito continuará a se expandir , crescer e se tornar sustentável e saudável. O que eu realmente gostaria de ver seria o ATS® mais presente na mídia. Eu gostaria de ver a dança do ventre sendo apresentada de uma forma mais séria, e não apenas como um hobby ou uma dança sexy. Seria muito bom se a mídia desse uma chance de retratar a dança como uma forma de arte de grande beleza, independente do que as pessoas consideram como um estilo formal de dança , independente da opinião pessoal de algumas pessoas do que é beleza feminina. Se apenas eles pudessem ver através dessas coisas pequenas o verdadeiro valor da dança eu me daria por satisfeita.

6) RP: Qual a sua opinião sobre a importância do estudo teórico para a dança? Fale sobre.
CN: É de extrema importância o conhecimento sobre as raízes das coisas. Acho que as pessoas passam tempo demais em páginas da internet e não dançam o suficiente. O que pude descobrir à partir da minha experiência pessoal e que posso recomendar para os outros: tenha em mente de forma clara a diferença entre o que são informações históricas e factuais do que é arte. Então, se você está interessada em reproduzir fielmente “a dança dos Beduínos das montanhas Atlas do Marrocos” estude intensamente e faça-o. Mas se você está interessada em criar algo interessante para performance então faça-o, use as influências históricas, modifique se for preciso. Minha opinião é que as pessoas às vezes tentam com muita veemência ser original e ser historicamente fiéis, mas eu não acho que isso seja possível. Acho que se pode ser um ou outro , mas isso não quer dizer que eu não possa usar influências de um ou de outro, mas se você está reproduzindo algo que já existe e está dizendo que é algo totalmente novo é aí que o problema se estabelece. As pessoas têm muito medo de se assumir artisticamente então elas copiam algo e fazem pequenas mudanças, mas não de uma forma eficiente para que se torne algo diferente e então temos eventos de dança do ventre cheios de idéias mal desenvolvidas por que as pessoas simplesmente não tem talento nem coragem de assumir riscos. Simplificando, acho que o estudo é muito importante, pesquisa cultural é muito importante, mas ou se tem uma reprodução fiel do que se quer representar com os estudos ou use aquela influência e faça algo que tenha a sua assinatura. Porque é isso que eu venho testemunhando desde o início da minha carreira, as pessoas pensavam que o que eu estava fazendo com o ATS® no início era mais autêntico do que a dança do ventre (dança do ventre estilo oriental, ou cabaret como os americanos chamam) e não é. A Dança do ventre sempre foi mais autêntica no sentido histórico que o ATS®, e só porque “parecíamos” mais folclóricos as pessoas assumiram que nós éramos a verdadeira dança, e isso nos causou problemas imensos com a comunidade da dança do ventre. E isso me forçou a tomar uma decisão definitiva sobre esse assunto, o que me rendeu liberdade para perseguir os meus interesses artísticos e estéticos. É claro que existem ligações entre o meu trabalho e os aspectos tradicionais das culturas que pesquisei, mas eu não tento retratar nenhuma tribo em específico. Eu respeito todas as influências às quais me inspiro a ponto de não tentar reproduzir essas influências sem o conhecimento necessário. Por que se eu fosse perseguir o conhecimento de centenas de formas de dança então nunca faria o que eu faço, porque seria completamente consumida por essa pesquisa. Então pode ser muito libertador se você cortar o cordão, e também pode ser bastante intimidador se você procura fazer algo novo, mas é necessário seguir a sua inspiração. Na arte não existe “certo ou errado”, existe a coragem de se fazer o que se deseja, e se as pessoas gostarem, ok. Se elas não gostarem não pense que não está “correto” apenas continue tentando, siga a sua inspiração.

7) RP: Sabemos que o ATS® originou o Tribal Fusion. Como você se sentiu quando as primeiras modificações do seu estilo aconteceram?
CN: Posso dizer que as primeiras modificações do ATS® não foram fusões, não foram Tribal Fusion. As primeiras modificações vieram de pessoas que freqüentaram as minhas aulas e decidiram que elas mesmas gostariam de lecionar, ou se mudaram , ou estiveram na companhia de dança e decidiram criar o seu próprio grupo em outro lugar…foi inevitável e lamentável porque o meu trabalho ainda não estava completo, as pessoas pegaram informações pela metade. E quando foram usar o que tinham aprendido tiveram que completar o conhecimento com outras coisas. Então tivemos todas estas variações do ATS® ou da dança tribal.
Minha primeira reação foi ficar de coração partido. Foi uma grande confusão, fiquei chocada. Então fiquei desapontada e magoada porque senti que essas pessoas me roubaram de alguma forma e eu não podia acreditar nisso, eu nunca faria tal coisa com a minha professora. Eu não comecei a dar aulas enquanto ela não se aposentou. Jamais eu daria aula com ela em atividade. Nunca me ocorreu, e se tivesse eu trataria de tirar esse pensamento da minha cabeça. Então, foi assim: as pessoas abrindo aulas na minha esquina e dizendo que o que elas faziam era a mesma coisa que eu, ou chamando por outro nome e oferecendo o mesmo que eu. Era exatamente o que eu disse sobre danças folclórica e expressão artística. Se você vai utilizar a idéia de outra pessoa e modificá-la, faça grandes modificações. Não faça “mudançazinhas” e diga que é completamente novo, porque não é. À princípio eu quis criticar essas pessoas mas me dei conta que se eu fizesse isso a dança nunca cresceria, então eu simplesmente parei de me importar. E foi a minha salvação, saber quando não se importar. Por uns bons anos eu não prestei atenção às coisas novas que as pessoas estavam inventando até que o Tribal Fusion apareceu e eu pensei “O que será isso? O que isso tem a ver com o que eu faço? Por que estão chamando isso de Tribal?” E por um bom tempo o tribal de tornou “a lata de lixo” para aqueles que queriam fazer algo diferente e não tinham coragem de de se opor à dança oriental e dizer “eu quero modificar o seu estilo”. Mas como o tribal era algo experimental e se originou da dança oriental era ok modificar o quanto se quisesse. O termo “tribal” tomou uma conotação totalmente errada e não foi, até que Rachel Brice aparecesse e finalmente houve um entendimento maior e a coisa toda passasse a fazer mais sentido para mim. Ela é uma pessoa muito talentosa e inteligente e disse para mim “eu quero fazer tal coisa que se parecesse dessa forma, do que devo chamá-la?” e eu respondi “eu não sei” então acho que dissemos juntas “então vamos chamá-lo de Tribal Fusion”. E fiquei muito satisfeita por termos tido esta conversa, ela me pediu a minha opinião e realmente criou algo que vem do ATS® mas é completamente diferente. É como se você pudesse olhar para nós e ver as semelhanças, apesar das diferenças, fizemos um ensaio fotográfico em que trocávamos de figurino e era essa a sensação. E é muito obvio que existem elementos do ATS® no que ela faz, mas ela não modificou pouco, modificou muito e agora posso ver que o que ela faz é distinto, porém vejo muitas pessoas simplesmente “nadando” entre uma coisa e outra sem entender. Elas não têm essa perspectiva das duas partes e acabam tendo muitas informações desencontradas, ou não são talentosas ou habilidosas o suficiente para criar algo próprio. Então se copia sem se entender, o que desorganiza o cenário todo.

8) RP: Você viajará muito menos em 2013 para escrever o seu livro, conte-nos mais sobre este projeto.
CN: Bom, este projeto é algo que vem sendo cobrado de mim por muito tempo. Ao mesmo tempo em que as pessoas me pediram para desenvolver um estilo de dança, e quiseram modificá-lo e me pediram para viajar o mundo ensinando-o. E então disse “eu posso fazer tudo isso ao mesmo tempo”, e por um tempo achei que poderia escrever um livro enquanto fazia tudo o mais, mas ficou muito claro que eu não poderia. Resolvemos tirar o próximo ano para escrever o livro, apesar de ainda ter alguns poucos compromissos, eu e minha companheira de Tribal Pura, Megga Gavin.
Quero que o livro seja sobre a história do ATS®, mas visto sob a minha ótica e minhas experiências para que as pessoas possam entender um pouco mais sobre de onde veio e como foi o processo, como foi o ambiente em que cresci, e o que eu presenciei. O que me inspirou, quais foram as minhas experiências, as minhas influências e como isso tudo foi fundamental para a concepção do ATS® e do Tribal e para que estes sejam melhor entendidos.
Porque muitas vezes as pessoas acham que o ATS® é muito rígido, e não sinto que seja assim. Acho o sistema flexível e a cada vez que se dança é diferente. E a razão da estruturação e das regras do estilo é para que se possa aproveitá-lo. Então não é como se você estivesse tentando construir algo indefinido sem sucesso , é definido porque precisa ser. E isso vem minha da experiência de tentativa e erro, de deixar ficar o que funciona e abrir mão do que não funciona.

9) RP: Deixe uma mensagem para os nossos leitores da Revista Shimmie.
CN: Eu diria para você terminar de ler a sua edição da Shimmie, coloque de lado e vá fazer uma aula de ATS®! Pare de pensar e vá dançar. Todas as respostas que você precisa estão na dança. Apenas assista a uma aula do inicio ao fim, mantenha sua mente aberta o tempo todo e não traga pré-conceitos, deixe o seu corpo experimentar e a sua mente vai entender no final, a sua mente não será capaz de explicar ao seu corpo, mas ele vai entender sozinho.