Profissional Autodidata

Olá, Tribo!
Recentemente fiz um post no facebook perguntando para as pessoas o que elas achavam dos profissionais autodidatas.
Elaborei as perguntas de forma a estimular o questionamento e parecer que aquela era minha opinião sobre o assunto. Fazia muitos anos que eu não fazia posts do tipo, mas este assunto bateu em minha porta inúmeras vezes e por isso quis saber o que mais pessoas pensavam a respeito.

 

Este é o post:

 

Muitas alunas e profissionais de diversos estilos e áreas comentaram e deixaram sua opinião sobre o autodidatismo.
Existem muitos pontos de vista sobre o que é ser autodidata.

Tem aqueles que acham que é um dom, um talento ou coisa de gênio. Alguns acham que se você estuda por video, livros ou dvs didáticos não é autodidata porque alguém está compartilhando informação e ensinando a técnica ou aquela teoria. Tem gente que acha que passear vez ou outra em sala de aula e depois estudar em casa é o que define o autoditada. Tem aquele que pensa que investir dinheiro e tempo em estudo te define como um ótimo profissional, mas, também tem aquele que acha que o fato de você gastar $ e o seu tempo estudando em salas de aulas não garante que você seja um ótimo profissional. Existem muitos estudos, cada um fala sobre um ponto. É bem dificil definir o que é realmente o autodidata e sinceramente, prefiro não arriscar.

Eu disse no post que minha opinião seria dita nos comentários, preferi gerar assunto para o blog já que deu uma ótima repercussão e o assunto realmente merece ser abordado.

Minha primeira professora de DV, Simone Martinelli, me mostrou o Tribal. Em 2005 não tinha professores com muita experiência no Brasil, então comecei a estudar muito sozinha através de videos e blogs. Eu comecei como autodidata. Aprendi muito do estilo sozinha apesar de ter ajuda da minha professora que não era profissional do estilo na época mas soube me levar ao caminho certo. Considero este meu início como autodidata mesmo eu tendo uma professora porque sei o quanto pesquisei e aprendi sozinha.

O meu post fala sobre o PROFISSIONAL AUTODIDATA, não sobre o ALUNO AUTODIDATA.
Os exemplos que vivenciei desde que comecei a estudar o Tribal foram determinantes para eu fazer minha escolha em ser “rata”de sala de aula ou autodidata.

Vi Ariellah fazendo aula da Mardi. Mardi fazendo aula da Sharon. Kristine fazendo aula da Anita, Anita fazendo aula da Sandi. Mariana Quadros fazendo minha aula, eu fazendo aula da Mariana Quadros. Rachel fazendo aula da Carolena. Carolena fazendo aula de Indiano. Entre outras situações. Ou seja, minhas mestras, que são os meus exemplos, estudam com outros profissionais. Sempre fui estimulada a estar em sala de aula e foi nela que aprendi os conceitos e técnicas que hoje me ajudam a desenvolver um trabalho com respeito e responsabilidade com os alunos e com o estilo que escolhi seguir.

De acordo com a minha experiência, quando comecei a dar aulas senti que meu pote estava vazio. Minhas alunas me perguntavam coisas e eu tinha dúvidas sobre as respostas. Foi então que decidi estar em todas as aulas que eu pudesse. E felizmente, minha dança amadureceu e eu aprendi muito com os mestres mais experientes. Eles me construiram e direcionaram a achar o meu próprio caminho e personalidade.

Por ser professora, sei da minha importância na jornada de cada aluno. Sei o que posso oferecer e que tenho convicção do que estou ensinando. Recebo constantemente alunos que foram autodidatas por anos. O resultado é sempre o mesmo: voltar a estudar o módulo 1 porque existem inúmeras lacunas e limpezas técnicas a fazer. Eles compreendem isso e querem estudar tudo do zero.

O que não entendo, é que professores que são autodidatas, motivam seus alunos a estarem em sua sala de aula semanalmente e na maioria das vezes pregam a importância disso. O autodidatismo é para todos, não apenas para gênios. Acho que acreditaria em um professor autodidata que ensina em sala de aula técnicas e dicas de como ser um autoditada. 😉

Autodidata estuda muito! Sei como é porque fui e ainda sou em alguns pontos. É uma escolha. Conheço profissionais autodidatas que tiro o chapéu. A questão muda quando você escolhe seguir uma dança com regras, com certo e errado, com pode e não pode e opta por ensinar outras pessoas. Chega uma hora que todos os estudos autodidatas te levam para dentro de uma sala de aula. Não consigo imaginar um bom bailarino de ATS autodidata porque sei todos os processos que cada pessoa precisa passar em relação a técnica, teoria e autoconhecimento.

Se você é professor autodidata e for responsável com a saúde dos seus alunos e tem interesse em respeitar as origens e regras da arte que escolheu seguir, sem dúvida resultará em um lindo trabalho. Se você prefere estudar em sala de aula, terá que estudar o mesmo tanto. O estudo e dedidação são iguais para os dois estilos de evolução.
Não acredito que investir muito dinheiro e fazer todas as aulas disponíveis irá transformar você automaticamente em um ótimo profissional. Um bom profissional é um conjunto de atitudes, decisões, curriculo e responsabilidades. Sendo autodidata ou não, a regra vale para todos.

O que mais uma vez aconteceu  e que é sempre o meu foco em todos os posts, aulas e conversas: Respeito ou a falta dele.
Joguei uma questão e muitas pessoas apenas souberam agulhar, outras sentiram-se magoadas. Outras felizes por falarem do assunto. Algumas pessoas se sentiram criticadas e ameaçadas. Teve preconceito, regras baseadas em sua própria crença.
Eu tive e ainda tenho um ótima experiência com o autodidatismo. Mas se for para eu ensinar, quero ter um ou vários mestres que me auxiliem nesta jornada.

Eu respeito e adimiro as duas formas de aprender. Acredito que uma não vive sem a outra. Pratico as duas diariamente.
Não acredito no certo e no errado. Acredito no responsável e no irresponsável com a cultura, técnica e alunos.

Vou responder minhas próprias perguntas:
1) A qualidade deste profissional é questionável por ele ser autodidata?
Se tratando de dança e limitando ainda mais, se tratando do Tribal, eu não teria interesse em estudar com alguém que nunca passou por correções ou não tem troca de experiência. Mas, amaria conversar com esta pessoa e entender a forma que ela pensa, os processos criativos e como a dança funciona para ela. Mas não sentiria confiança em agregar o tal do “certo e errado” que ela me falaria em sala de aula. Sempre ficaria com insegurança em relação a técnica do estilo.

2) Você prefere estudar com um professor que investe muito (tempo e $) em estudo ou com um professor que aprendeu sozinho e nunca passou por uma correção de algum profissional mais experiente?
Acredito que gastar dinheiro e tempo com professor em sala de aula não define um bom profissional. Mas eu também não estudaria com alguém apenas autodidata que gastou muito tempo e dinheiro em estudos sozinho. Quando vou me reciclar, procuro pessoas que estudam com outras pessoas, que investem e são éticos, respeitosos, com didática boa e que compartilham tudo que sabem com seus alunos.

3) Acredita que este profissional na verdade não seja autodidata uma vez que estuda por vídeos no YouTube e tenta reproduzir a técnica, escolhendo seus bailarinos preferidos como mestres e lendo matérias sobre o estilo na internet?
Acho que se você assiste um dvd didático, tem um mestre na tela te ensinando. Se assiste videos no youtube e tenta reproduzir a técnica, sinto que é uma pesquisa rasa e de alguma forma, aquele bailarino do video te ensinou a fazer aquele movimento. Não acredito ser autodidata neste caso.

Minha opinião é essa. Resumindo: Respeito o autodidata. Sou autodidata. Mas quando me proponho a ensinar, vou atrás de me aprofundar e ter mestres que possam me ajudar a ser um profissional com qualidade com respeito às regras do estilo e respeito aos alunos que estão em minha sala de aula com sede daquele conhecimento.

Termino o texto agradecendo a todas as pessoas que souberam debater com respeito esta questão. Deixo abaixo algumas frases ditas nos comentários do post que demonstram também minha forma de pensar.

Um beijo para vocês autodidatas e não autoditadas. O mundo é para todos. As criações surgem das diferenças. 😉 ❤

“Nas aulas de pedagogia, a gente aprende que existem vários tipos de mediadores para a aprendizagem. O professor, o livro, um vídeo, são todos mediadores que colaboram para a construção de um conhecimento. Quando aprendemos com pessoas por meio de aulas presenciais, temos uma forma mais tradicional de aprendizagem. No entanto, quando nossos mediadores são unicamente livros e vídeos, sem interação com um professor mediador, chamamos de autodidatismo. É pra isso que serve essa palavra, pra definir outros tipos de aprendizagens diferentes da tradicinal em que não há interaçao entre aluno e professor cara a cara. Não tem nada a ver com dom… autodidatas tem que se esforçar muito para aprender, geralmente ralam muito mais, pois não tem o conhecimento facilitado pelo professor. Na verdade o autodidatismo só é recomendado em casos em que vc não pode ter aula presencial, pois é muito mais demorado aprender sozinho. No caso do tribal, quando ele surgiu no Brasil, não havia professores pra ensinar, então esse é um caso em que o autodidatismo se fez necessário. No entanto, as profissionais que iniciaram o estudos de tribal sozinhas no Brasil, assim que puderam, foram estudar fora com professores. Claro, porque, no caso da dança, a aprendizagem presencial é sempre melhor, porque é mais rápida e vc tem a garantia de que está fazendo o movimento com a qualidade que deveria ter. Outro ponto, o autodidatismo tb é crucial quando vc já domina uma série de conhecimentos, já é um profissional de excelência e não encontra mais muitos professores acima de vc pra te ensinar. Nesse caso o autodidatismo é necessário para que o dançarino possa evoluir e tv se ele quiser inovar.” (Karen Dias de Sousa)

“Sobre o autodidatismo na questão 4 é boa por uma coisa: ela ajuda o bailarino ter.. muito dele mesmo.” (Loreta Marjory)

“…desenho desde uns 5 anos. Nasci com o dom, certo? Ai de mim se não buscasse aprender técnica! Dons precisam ser trabalhados corretamente. Agora tendo técnica, ai de mim se não praticar por conta própria! Com a dança acontece, ao menos comigo, a mesma coisa.” (Dária Lorena)

“Eu pessoalmente prefiro profissionais que estudam das duas formas: em sala de aula e sozinho porque pra mim um não funciona sem o outro.” (Ludmila Fornes)

“Yo creo que depende de cuales sean nuestros objetivos como alumnos. Si queremos conocer seriamente una danza, es necesario acudir a un docente capacitado que nos transmita correctamente la técnica, pasos, estética y teoría de la danza elegida… Y si es autodidacta en cuanto a ser creativo a la hora de dar las clases o componer coreografías, etc… Mucho mejor.
De todas formas una persona con muchos certificados no es garantía de un buen docente… Así que tenemos que ser muy precavidos y tomar clases con distintas personas para ampliar el abanico, y ver la danza que queremos aprender desde distintos enfoques además. Es mi humilde opinión. Besos hermosa!” (Caro Moro)

“Autodidática pra mim é quando vc estuda ou faz tudo sozinho, pesquisa e desenvolve algo através sei lá, de uma inspiração , um dom incrível de ver , entender, absorver, reproduzir e repassar sem o contato com ninguém.” (Marcelo Justino)

“Pois é… Minha curiosidade é: os autodidatas que têm chances de estarem perto de grandes profissionais e aprenderem com eles, o que os leva a ainda preferirem seguir sozinhos? E, então, eles deveriam incentivar as pessoas a estudarem sozinhas, né?! Mostrar esse caminho. E não a consumirem suas aulas.” (Nesrine)

“Me dá um pouco de receio, acredito que a vivência nas salas de aula de dança são responsáveis não só por uma técnica mais acurada como também por melhores relações e sentimento de grupo – mesmo uma boa bailarina solista precisa praticar em grupo -, um trabalho de improviso mais sério… e, bem, nada pode ser melhor que um bom puxão de orelha de uma professora de dança, rsrsrs. Acredito que na dança, como em qualquer outra arte ou técnica (e isso vale até pra outras áreas, da história à física), é possível tirar ótimo proveito de vídeos, livros, dicas que você pega na internet, mas esses devem servir como complemento. É preciso orientação de alguém experiente, que esteja ao seu lado, pra limpar “vícios” posturais, pra observar o impacto das movimentações no seu corpo e para te orientar, dentro do que é possível ou não fazer.” (Ana Terra De Leon)

“Sou professora (não de dança, mas de língua portuguesa). Acredito q estudo e pesquisa são importantes em todas as áreas. Acrescento que as trocas de experiências e o diálogo também são fundamentais na formação de um professor. Portanto, quando procuro um curso de dança dou preferência a quem tenha vivência e formação amplas, então alguém q seja somente autodidata não atende minha expectativa.
Penso q ser autodidata para dançar ou aprender o quer q seja é uma coisa, mas para ensinar algo a alguém é outra história.” (Renata Pingueiro)

” Acredito que ter um mestre para te direcionar é muito importante, principalmente no início, mas o fato da pessoa buscar evoluir sozinha não a desqualifica. Falando especificamente de danca, danca é corpo e é necessário mta pesquisa sozinha para evoluir. Eu prefiro estudar com um professor competente, que saiba ensinar e está sempre buscando algo mais a oferecer, na minha percepção o fato de ele ter investido muito dinheiro não o qualifica, mas tempo é algo que faz a diferença no caminho profissional.” (Thaisa Martins)

“Na minha opinião o auto didata pode ser excelente no que ele faz. Existem pessoas que desde pequenos sabem tocar piano por exemplo, como explicar? São talentos… porém, ensinar requer conhecimento técnico. Na dança, especificamente você está lidando com o corpo das pessoas. É preciso que o professor tenha um conhecimento que possa atender às dúvidas e dificuldades que forem surgindo. Para qualquer aluno realmente interessado existirá uma sede de conhecimento e o professor bom, competente precisará ser a fonte e o condutor desse conhecimento. “Quem faz algo, não precisa saber necessariamente como consegue fazer. Quem ensina precisa de conhecimento técnico. Até que ponto a pessoa conseguirá evoluir sozinha? Eu acho que chegará uma hora que isso vai pesar…” (Natália Machado)

” Sim, é questionável a qualidade deste profissional, se ele estuda por conta, quem supervisionou ou contou pra ele que ele está apto a ser profissional?
Prefiro estudar com um professor que investe tempo e dinheiro em estudos com outros profissionais mais experientes. Dá pra comparar com médicos. É preferível ir num médico que se atualiza e investe em congressos, pesquisas e estudou numa universidade ou vc se trataria com um médico autodidata?
Eu considero autodidata qualquer maneira de estudo sem supervisão. E aí depende do profissional como ele utiliza este estudo autodidata. Pois vc pode estudar vídeos, assimilar a sua dança e constituir seu estilo/personagem ou então vc será mais um reprodutor ininterrupto de coreografias e sequências prontas da internet. (Uma das coisas que mais vemos hoje em dia diga-se de passagem)
Não sei se isso entra no enredo da questão, mas acho que estudar de forma “autodidata” pode ser interessante depois que já existe algum embasamento bem direcionado e técnico, é então o profissional buscar fontes de estudos diferentes, sabendo diferenciar, entender e assimilar o que está estudando, para compor sua arte. Se tornar profissional sendo que sempre foi autodidata me dá um pouco de medo, quais fontes foram estudadas, o que considera verdade ou mentira, o que tem como base para ensinar para os outros? Um autodidata antes de se tornar profissional provavelmente só teve experiências com o próprio corpo não é? Então quando se intitula profissional, como ele pode passar informações para corpos diferentes, ou mesmo trabalhar apresentações e números para públicos diferentes? Eu acredito que a cooperação, o fato de estar em grupo, debater questões, onde sentimos dor, incomodo, facilidade, isso é tão pessoal, e agrega tanto ao crescimento pessoal, que infelizmente não acredito em profissionais autodidatas. Repito, basta usar o exemplo de um médico… você confiaria num autodidata ou em um formado?” (Bruna Nassif)

“Se o bailarino se acha um puta profissional autodidata beleza, o que acho que nao seria correto é apenas o fato do profissional ser responsavel por danos causados ao corpo de uma pessoa leiga no assunto.” (Fahir Sayeg)

 

 

 

 

 

 

 

2 comentários em “Profissional Autodidata

  1. Vi o POST e no Facebook e não tive tempo de comentar, bem. Eu conheço e já fiz aula com professora que antes fazia aulas com profissionais, mas, chegou uma hora que ela acreditava que não precisava mais estudar com mais ninguém, pois, já se sentia um profissional. E até hoje estuda por vídeos copiando movimentos de outros bailarinos. Não confio nesse tipo de pessoa, que só reproduz o que copia ou o que aprendeu com alguém. Com o professor se aprende o fio da meada e em casa se pesquisa para aperfeiçoar. Também conheço outras bailarinas que só estudaram um ano com um professor de dança X e hoje se diz professora e profissional do estilo. Eu nunca vou me sentir profissional, pois sei, que sempre serei limitada e possuo essa sede enorme de aprender, por isso faço não só Works quando posso, mas, aulas regulares também, pois sei que, vídeos de YouTube não são locais confiáveis para aprender e ser profissional.

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