Sobre o ATS®

ATS® | American Tribal Style®

Carolena começou na Dança do Ventre com Masha Archer e a San Francisco Classic Dance Troupe. O estilo de Masha era uma mistura de dança clássica egípcia, folclores e qualquer outra influência que a seduzia. Masha é artista plástica e designer de joias. Através de sua visão artística, ensinou suas alunas como fazer arte através da dança. Em 1987, após o término do grupo San Francisco Classic Dance Troup, Carolena se propôs a ministrar aulas em um pequeno estúdio na Noe Valley Ministry em São Francisco com a intenção de ter companheiras para dançar .

Por ser jovem e tatuada, Carolena atraia jovens que viviam estilos de vida alternativos. O movimento Moderno Primitivo também estava em alta, tatuagens e estilos de adornos primitivos eram a moda. Por essas características e por não exigir um padrão de beleza cobrado na época pela Dança do Ventre, Carolena passou a ser conhecida na região pelo seu estilo e por sua dança. Percebendo as atitudes de alguns homens que após uma apresentação se sentiam atraídos pelas dançarinas e faziam convites querendo-as apenas para um entretenimento pessoal, um amigo sugeriu uma rima de forma lúdica para nomear o grupo de Carolena e foi quando o nome surgiu: Fat Chance Belly Dance®. Em outras palavras, a resposta é: “Fat Chance (sem chance) que você pode ter um show particular”.

Assim como Carolena e seu grupo FCBD® abriram novos horizontes na dança, muitas pessoas amaram o novo estilo, mas muitas criticavam dizendo ser um dança que fugia muito das tradições. Surgiu então o nome ATS® American Tribal Style, distanciando-o assim dos estilos clássicos. A palavra “american” deixa claro que é uma invenção americana, não uma dança tradicional e o “tribal style” descreve as dançarinas trabalhando em grupo com aparência tribal.

De volta ao estúdio, um sistema foi evoluindo. Devido a natureza casual das oportunidades, FCBD® acabou desenvolvendo a arte do improviso em grupo por dificilmente conseguirem informações sobre o espaço e condições dos lugares onde se apresentariam. Muitas vezes as condições pré estabelecidas eram mudadas de última hora, obrigando as dançarinas a improvisar como podiam. Sendo assim, não havia necessidade de preparar coreografias, apenas códigos para que o improviso pudesse ser coordenado.

Duplas, trios e quartetos trabalham em formação. Se o público estivesse dividido a frente e atrás das dançarinas, a formação das mesmas poderia mudar de acordo com a divisão da platéia, dançando uma hora para o público da frente e mudando a liderança para apresentar para a platéia de trás de forma dinâmica. Carolena desenvolveu sinais para cada passo e combinação, na maioria das vezes usando movimentos de cabeça ou braços de forma que fossem facilmente vistos pelas dançarinas que seguem a líder. Carolena descobriu que, se a líder estivesse posicionada a esquerda do palco e todos os passos começassem pela direita, as dançarinas que a estivessem seguindo, conseguiriam visualizar melhor nesta formação o sinal feito pela líder.

As regras e formações são o brilho do ATS®, muitas vezes despercebido por causa dos trajes elaborados, passos de dança, música empolgante e a beleza das mulheres dançando juntas. As formações e as senhas são a âncora do improviso coordenado. Mesmo quando ocasionalmente uma coreografia não baseada no improviso é criada, ela sempre será baseada nas mesmas senhas e formações utilizadas nos improvisos.

O conceito central permanece no lugar: líder para a esquerda, seguidores para a direita. Preste atenção para a interação entre os dançarinos que tem sempre sua atenção na posição de liderança, procurando a deixa para a próxima etapa. Quando os dançarinos enfrentam-se e fazem o contato visual (roda ou circulo), a liderança é neutra, passando para quem apresenta a sugestão de passo seguinte. Permita-se ver o quadro inteiro: as mulheres que trabalham juntas em cooperação, um grupo focado em apresentar a dança como uma entidade!

Com o sucesso do estilo, muitas pessoas começaram a estudar com Carolena e novos grupos começaram a surgir. Mesmo não seguindo religiosamente as regras do ATS®, ainda assim diziam ser um grupo do estilo. Carolena se sentiu na obrigação de manter as origens de sua criação, para que não fosse perdida ao longo dos anos. Para isso, criou o curso chamado General Skills, onde é possível aprender todos os passos, formações e técnicas do estilo ATS® (repertório clássico e moderno) e quem desejar ser professora, poderá ter sua permissão para ensinar fazendo o curso Teacher Training, hoje dividido em dois níveis: 1 e 2. Após a conquista dos certificados, a dançarina poderá solicitar ser uma Sister Studio (ou Brother Studio no caso de homens certificados), o que significa uma espécie de filial do ATS® em outro lugar. Vale dizer que Sister Studio é um título para a professora certificada e não para o estúdio da mesma, a professora é uma Sister Studio. Quem não for certificado e desejar ensinar a arte da improvisação em grupo, poderá nomear seu estilo de forma abrangente como ITS (Improvisational Tribal Style) ou TGI (Tribal Group Improvisation) ou qualquer outro nome dado para os grupos semelhantes ao ATS®.

O traje original do ATS® consiste em diversas camadas sobrepostas, saias, lenços, cintos, calças bufantes, turbantes, cholis, etc. Os trajes geralmente são confeccionados em tecidos antigos com estampas étnicas, inúmeras peças de bijuterias e joias tribais autênticas. O uso de um figurino rebuscado contribui para o visual folclórico característico do estilo.

Fonte: http://www.fcbd.com

Tradução livre e adaptação do texto por Rebeca Piñeiro