Competição para Tribal

É muito comum encontrarmos eventos que oferecem concursos de dança e que oferecem como prêmio dinheiro, troféu, cursos, etc. Quero deixar bem explicado, antes de desenrolar o tema deste post, que NÃO TENHO NADA CONTRA CONCURSOS. Acho que pode ser válido se a pessoa souber competir de forma saudável para si e para seus concorrentes.  Mas tenho SIM muitos contras concursos para Tribal.  😉

O estilo ATS® é uma dança em grupo, que prega a união, respeito, cumplicidade e igualdade. Por isso temos um dress code, por isso temos o grupo, por isso temos o olho no olho, por isso temos o prazer de não fazer um movimento que a nossa colega não saiba ou não possa. O estilo ATS® vai muito além do que um estilo de dança, é um estilo de vida onde brindamos nossa união e paixão pela dança tocando snujs e dançando em grupo. Dito isso, se me inscrevo com meu grupo para um concurso, competindo com outro grupo de ATS®, estou indo CONTRA toda a filosofia do estilo. No ATS® não temos a intenção (ou não deveriamos) de causar desconforto, angustia, medo, sensação de inveja ou de querer que o outro perca. No ATS® queremos que todos os grupos “mandem bem” em cima do palco! O que vale no ATS® é o improviso ser lindo, afiado, divertido e não quem ganha ou não o troféu.
No ATS® nós queremos que todos se saiam bem. Por isso um clima de competição NÃO FAZ SENTIDO!

Um ponto bem importante que deve ser citado também: os eventos que abrem concursos de Tribal, muitas vezes não conhecem o estilo a fundo e não sabem que existem inúmeras ramificações. Logo, em um mesmo concurso teremos ATS, Fusion, Tribal Brasil, Tribal Dark, Neo Tribal, etc… É preciso um jurado que tenha conhecimento suficiente em Tribal para conseguir julgar de forma honesta um estilo tão abrangente.
Infelizmente ainda temos poucos profissionais que dominam o estilo e por este motivo, a banca de jurados muitas vezes é composta por profissionais que nunca ouviram falar sobre Tribal. Isso é extremamente injusto e desrespeitoso com os participantes e estilo.

Uma vez eu participei de um concurso de Tribal oferecido pela Shimmie (2011). Eu estava bem no início da minha carreria e sentia a necessidade de saber como era participar de uma competição. FOI A PRIMEIRA E A ÚLTIMA! Não gostei de competir.
A banca de jurados era bem legal, o evento foi bem organizado, por isso escolhi participar. Kilma Farias, Nanda Najla… eu queria o feedback dessas pessoas! Não me inscrevi com a intenção de ganhar, mas sim, de sentir como era competir e principalmente ser avaliada por pessoas que eu gostava. Ganhei em 1º lugar na categoria solo com o Tribal Fusion (vou deixar o vídeo no final do post) e em 3º lugar com meu grupo de ITS Ulan Daban .
Ganhar o primeiro lugar no solo fez com que a Nanda Najla fosse agredida verbalmente por uma das competidoras no banheiro após o resultado, dizendo que tinha sido injusto, e que ela tinha dançado muito melhor do que eu.  Percebe como é desnecessário este tipo de situação no Tribal? Vai contra TUDO que somos e pregamos. A jurada não precisava passar por isso, eu não precisava passar por isso e a minha concorrente também não precisava estar com este sentimento de ódio por mim apenas por que ganhei dela. É MUITO sem sentido para o Tribal, seja ATS, ITS, Fusion, Dark…

Existem concursos saudáveis onde as concorrentes conseguem respeitar e não tem barraco como aconteceu comigo, mas o concurso estimula nosso lado que diz “preciso ganhar”, “DROGA!!! Esse grupo foi fantástico, acho que vou perder”. Se o grupo erra logo vem uma sensação de alívio “eba, essas vão perder ponto”….
Esse tipo de sentimento definitivamente não deve ser estimulado e não deve existir para os participantes  do Tribal.

Eu já fui jurada inúmeras vezes de concursos Tribais. Fui porque acredito nos meus conhecimentos e sei que poderia julgar de forma honesta os participantes, porém, sempre falei com os meus contratantes sobre a falta de sentido que isso faz. Após o concurso, sempre que possível eu procurava pelos participantes e dava meu feedback pessoalmente caso a folha de pontuação não tivesse a opção de dar dicas. Acredito que ter o feedback do profissional que está avaliando é o real sentido de tudo. Saber onde pode melhorar e no que acertou.
Mostras avaliativas permitem este momento de avaliação sem competição. Uma banca composta por profissionais qualificados que analisam sua dança e te ajudam a melhorar, sem competição!

Muitos eventos que antes ofereciam concursos de Tribal hoje não oferecem mais por falta de inscritas! Ebaaaaaa!!! Acho que finalmente chegamos em mais um ponto a ser abordado: Se tem procura, o evento oferece. Se não tem procura, o evento não oferece!
Parece que os praticantes do estilo Tribal estão começando a entender que é muito melhor se inscrever para dançar nas mostras do que competir.
Mostre seu trabalho, compartilhe sua dança, siga na filosofia do Tribal, não permita que o mais lindo deste estilo morra, seja exemplo!

Falei sobre ATS®, mas este post vale para  todos os estilos de tribais. Todos partem de um mesmo princípio: TRIBO! Não há sentido em competir com pessoas da mesma tribo, certo? 😉
Um beijo, Passarinhxs!
Rebeca Piñeiro

6 comentários em “Competição para Tribal

  1. Sábia palavras Beka, eu sempre pensei como vc, sou avessa a competições e rivalidades, ser tribo é união, é somar, é respeitar, é sentir-se feliz pela amiga (o) qdo ele acerta um movimento, é compartilhar conhecimento. Que tenhamos mais consciência que somar é muito melhor que dividir. Parabéns pelo texto e pela linda performance, sempre me encantei a vendo dançar, em especial nos lentos que vc domina com maestria.

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